domingo, 4 de março de 2007

[ filosofia de boteco ]

"Love? Overestimated. You can get the same feeling by eating a box of chocolate"
--Al Pacino em "Advogado do Diabo"

[ Papo de boteco, outro dia. Homens e mulheres sentados à mesa.]

(...)
--- Mas o amor, pra homem, é diferente. Homem gosta de trair. [moça]
--- O que? Não acredito nisso que to ouvindo, não. E mulher, não trai, não, né....? [rapaz]
--- hehehe [moça]
--- Eu acho que tanto pra homem quanto pra mulher é tudo a mesma coisa. Ta todo mundo no mesmo barco. Acabou virando um sentimento banalizado. Hoje em dia dá pra forjar amor, sabia? Dá pra fingir que sente amor e, no fim, sentir mesmo. Amor condicionado. Se por acaso, algum dia, acabar o “motivo”, o amor acaba. [rapaz]
--- O motivo? [moça]
--- É, pô. Na maioria das vezes é jogo de interesses. E tem de todo tipo de interesse, por isso não to falando “interesse” por mal não. Tenta entender. Você fica com uma pessoa porque ela, sei lá, tem dinheiro. Ou então porque é bonita e você vai subir no conceito dos amigos. Você fica com alguém porque ele ou ela te dá atenção e por aí vai. Mas se algum dia o dinheiro acabar, a beleza acabar ou a pessoa parar de dar atenção, a chama apaga, sacou? Nesse sentido que acho que é forjada a parada. [rapaz]
--- E o que seria o amor verdadeiro pra você? Tipo, interesse todo mundo tem, ué. Você sempre ta com alguém porque esse alguém te oferece alguma coisa em troca, é assim que funciona. [moça]
--- Sei lá. Acho que o amor verdadeiro seria o mais próximo da amizade verdadeira. Posso ta viajando, não sei. Mas o amigo verdadeiro não impõe condições. Ele ta do teu lado quando você ta com dinheiro ou sem, quando ta gordo ou magro, bonito ou feio. Ele sabe que situações vêm e vão. A tempestade sempre passa. Não importa o que você tem, mas o que você é. E também porque ele sabe que o sentimento é recíproco. Você faria o mesmo por ele. [rapaz]
--- Amor forjado. Gostei dessa. Mas o verdadeiro ta muito difícil de achar, sô. [moça]
--- É. Assim como amigos verdadeiros também. [rapaz]
--- Quero um amor verdadeiro. [moça]
--- Eu também. [rapaz]

E ficaram os dois olhando pro nada uns cinco segundos, antes de alguém começar a falar de Vasco e Flamengo.

2 comentários:

Alber disse...

"Dizem que tô louco
Por te querer assim
Por pedir tão pouco
E me dar por feliz
Em perder noites de sono
Só pra te ver dormir
E me fingir de burro
Pra você sobressair

Dizem que tô louco
Que você manda em mim
Mas não me convencem, não
Que seja tão ruim
Que prazer mais egoísta
O de cuidar de um outro ser
Mesmo se dando mais
Do que se tem pra receber
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê"

Apoiado nessa música ai, penso que procurar uma pessoa para amar já é um interesse pessoal. Um prazer um tanto egoísta o de cuidar de outro ser. Ainda mais qdo falamos de pessoas mto racionais e seus eternos auto-questionamentos. Provar de um sentimento irracional como o amor é ótimo. Mas esse intenso contato carnal acaba gerando quase que um contrato, e dentro desse contrato - que nos possiblilita gozarmos da iracionalidade do amor - damos uma pitada de racionalidade: monogamia. O animal controlando seu ser, uma grande confusão que vem acompanhada de ciúme, orgulho, e coisas do genêro. É complicado. E mesmo no final vc controlando seus instintos, se dedicando e tudo o mais, há de existir um final. "Que pena".

Então da-lhe Jorge Ben.

Bárbara Peixoto disse...

gostei do texto...